Este 31 de março, Dia Internacional da Visibilidade Trans, sublinhamos que o feminismo que liberta é transfeminista, e que a luta pela autodeterminação dos corpos é um campo comum — o que reivindica o direito a existir fora das fronteiras impostas pelo patriarcado, pelo Estado contaminado e pelo mercado.
A ameaça à Lei n.º 38/2018

Quando a maioria parlamentar da direita revanchista — forjada pela decisão do PSD em se alinhar com as forças extremistas — quer alterar a Lei n.º 38/2018, revogando direitos conquistados com base na evidência científica, no direito internacional e na escuta das pessoas trans e das suas famílias, está a dizer-nos que os nossos corpos continuam a ser territórios de controlo, vigilância e punição, tornando-se os velhos pêndulos da nossa existência.
Conhecemos a cartilha. Já a vencemos.
Continuaremos a resistir. Porque a autodeterminação não é apenas uma palavra — é o direito de sermos nomeadas, de vivermos e de decidirmos fora do olhar que medicaliza e patologiza.
Protesto junto ao Parlamento

Porque é nas ruas que afirmamos o que a maioria parlamentar quer apagar: que os direitos conquistados não se negoceiam, que os nossos corpos e as nossas vidas nos pertencem, e que o feminismo é e será transfeminista, anticapitalista e radicalmente libertador.
Violência estrutural e resistência
Sabemos que a violência é estrutural e que o silenciamento das vidas trans é uma das suas linhas mais brutais: nos serviços públicos que negam cuidados, nas escolas que apagam identidades, nas leis que recuam, na violência que se propaga e se institucionaliza.Mas também sabemos que há resistência — cuidados partilhados e redes de solidariedade — e que é a partir dela que o transfeminismo se edifica, e que temos o dever de construir bases comuns para a luta e para estancar a morte que quer sair à rua pelas portas do Parlamento.
Temos memória. Lutamos sempre, Gisberta.